São as águas de março fechando o verão com ciclones raros no Oceano Atlântico Sul

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Na última quarta-feira (19/03), um ciclone extratropical trouxe alívio para as temperaturas elevadas dos últimos dias na região Sudeste. Nas próximas 48 horas, o ciclone deve se dissipar. Já no final de semana, um novo sistema de baixa pressão deve se formar afastado da costa, nas proximidades do Oceano Atlântico Sul, provocando mais chuvas devido ao escoamento da convergência de umidade associado ao novo ciclone. ⚠️ Atenção, litoral do Sudeste nos próximos dias: a previsão indica acumulados de chuva de até 244 mm. Vale lembrar que estamos entrando no equinócio de outono. Além disso, a tendência aponta uma nova massa de ar frio e ficará bloqueada na região Sul do Brasil ao longo da próxima semana. A formação desse novo ciclone também deve empurrar a o bloqueio da ASAS (Alta Subtropical do Atlântico Sul) para o meio do oceano até cerca do dia 25/03.

Previsão para o final de março: possível formação de ciclone sub/tropical 🚨
Na segunda-feira 23/03 e quarta-feira, 25/03, há previsão para a formação de um ciclone sub/tropical com pressão estimada entre 1006 e 1008 hectopascal (hPa). As projeções dos modelos de fase GFS, UKMET e ECMWF estão em concordância, indicando a formação do sistema nas proximidades do Oceano Atlântico Sul, e pode afetar a faixa litorânea dos estados de PR, SP, RJ (norte do estado), ES e BA. Há risco de ventos costeiros, agitação marítima, chance de trovoadas, queda de granizo, formação de supercélulas perigosas e tornados, devido à atmosfera ciclônica. No Sudeste, prevê-se perturbações nos níveis médios da troposfera, associadas à convergência de umidade em baixos níveis, o que poderá favorecer a formação de “tempestades vespertinas” durante a tarde.

Seguiremos os modelos da NOAA e britânicos para baixas pressões e cavados. Acreditamos que este posicionamento pode gerar alguns conflitos de opiniões sobre as condições atmosféricas nos próximos dias. Atentem a tomar todas as medidas de segurança e prevenção para evitar transtornos.

Segundo os modelos ICON, ECMWF e GFS, o sistema — um cavado em superfície — deverá provocar ventos moderados a fortes e linhas de instabilidade (LI), resultando em tempestades vespertinas. Não se descarta a formação de nuvens convectivas isoladas, conforme indicado nos modelos parâmetro composto de supercélulas (SCP) e parâmetro de tornado significativo (STP), com potenciais prejuízos às populaçõesPrevisão entre os dias 23 e 26/03.

TSM – temperatura de superfície do mar – Chegada de El Niño 2025

 ⚠️ATENÇÃO ACUMULADOS DE CHUVAS 🚨

ACUMULADOS DE CHUVAS, riscos potenciais:
Chuva entre 50 a 100 mm/h ou 100 a 300 mm/dia. Risco de alagamentos, deslizamentos de encostas, transbordamentos de rios em cidades com áreas de risco.

Instruções:
Evite enfrentar o mau tempo.
Observe alteração nas encostas.
Se possível, desligue aparelhos elétricos e quadro geral de energia.
Em caso de situação de inundação, ou similar, proteja seus pertences da água envoltos em sacos plásticos.

TEMPO SEVERO, riscos potenciais para tornados:
Chuva entre 100 mm/h ou 50 e 100 mm/dia, ventos intensos (a partir 117 Km/h), e queda de granizo. Risco para destelhamentos de casas, queda de árvores, postes quebrados e alagamentos.

Instruções:
– Em caso de rajadas de vento: não se abrigue debaixo de árvores, pois há risco de queda e descargas elétricas e não estacione veículos próximos a torres de transmissão e placas de propaganda.
– Se possível, desligue aparelhos elétricos e quadro geral de energia.
Obtenha mais informações junto à Defesa Civil (telefone 199) e ao Corpo de Bombeiros (telefone 193).

Estimativas para o fim de semana entre os dias 20 a 26/03/2025:

Quinta-feira (20/03): passagem do ciclone extratropical e sua frente-fria fraca, Garcia Duarte, Rádio Tupi, finalmente veio a temperatura agradável, mas por poucos dias. Na madrugada diversos bairros do RJ ficaram com pontos de alagamentos. Ainda tivemos trovoadas na madrugada, devido a formação de nuvens do tipo Cumulonimbus. O sistema de baixa pressão, ciclone ainda poderá causar ligeiro declínio nas temperaturas, agitação marítima e ventos costeiros moderados a forte devido a aproximação do litoral do sul do Brasil.  Em São Paulo já está fazendo sol.

ATENÇÃO!  CICLONE RARO NO ATLÂNTICO SUL?

Sexta-feira (21/03): A frente-fria fraca perde sua predominância, o ciclone extratropical no fim do dia. A massa polar estacionária perderá sua intensidade gradativamente. Conforme observado no modelo de fase GFS entre os dias 18 e 23/03, a trajetória do ciclone inicia no quadrante Cold Core e avança para Shallow Warm Core, sugerindo uma possível transição de ciclone extratropical para subtropical. Até sábado, dia 22/03, observa-se a formação de um novo sistema de baixa pressão, um cavado em superfície com características subtropicais localizado longe da costa, entre BA, ES e o norte do estado do Rio de Janeiro.

Atenção: devido à natureza desse tipo de ciclone, há possibilidade de pancadas de chuva localmente fortes e isoladas nos estados do Sudeste e Nordeste. Além disso, os modelos ECMWF indicam a chance de chuvas moderadas a fortes (acumulados de até 100 mm/24h), causadas pela convergência de umidade em baixos níveis, associada à formação do ciclone, que deverá se posicionar mais ao sul, afastado no Oceano Atlântico Sul.

Sábado e Domingo (23/03): Na região norte do estado do RJ, MG, ES e BA, a frente estacionária subtropical mantém o risco de chuvas moderadas a fortes ao longo do dia. Nas imagens de satélite, observa-se pouca nebulosidade na região Sudeste, devido à influência de uma alta pressão (massa de ar seco) com 1020 hPa, proporcionando dias ensolarados e aumento significativo das temperaturas com noites e madrugadas amenas e tardes quentes. Também se nota a formação de nevoeiros em vários pontos das faixas litorâneas, favorecidos pela temperatura da superfície do mar (TSM), que segue elevada para a época, em torno de 30°C. O céu permanecerá limpo nos estados de SP, MG e RJ, com mínimas de até 22°C.

Segunda-feira (24/03): Atenção litoral entre os estados de SC, PR, SP e RJ: um novo sistema de baixa pressão, cavado em superfície com 1008/1010 hectopascal (hPa), deverá causar ventos costeiros moderados a fortes e agitação marítima. No período da tarde, o tempo pode mudar gradativamente. Segundo projeções GFS e ICON, chuvas moderadas devem acontecer devido à formação de outro cavado nos níveis médios da troposfera. Segundo os modelos de fases GFS e UKMET, há indícios de uma área de baixa pressão com características subtropicais.

Terça-feira (25/03): A formação de um sistema de baixa pressão nos estados de SP, RJ e MG deverá aumentar as condições de chuvas volumosas devido à influência da ZCIT (Zona de Convergência Intertropical) e à convergência de umidade em baixos níveis. ATENÇÃO: ressalto a quantidade de chuva muito persistente desde o norte do país até o Sudeste, no litoral. As projeções são preocupantes. Recentemente, houve uma mudança no calendário da ZCAS (Zona de Convergência do Atlântico Sul), o corredor de chuvas da Amazônia, que deveria ocorrer entre novembro e fevereiro. Estudos anteriores apontavam que a ZCAS costumava se formar entre outubro e abril. Vamos acompanhar os próximos capítulos.

PS: Estamos vivendo um tempo com grande possibilidade do fenômeno El Niño 2025 se instalar novamente. O Oceano Atlântico Sul, principalmente a região Sudeste, apresenta águas em 30º graus, e no Sul do Brasil, a 27º graus de temperatura de superfície do mar (TSM). Vamos acompanhar os próximos capítulos.

Quarta-feira (26/03): Um cavado, área de baixa pressão de forma alongada e estacionário, poderá causar eventos meteorológicos severos, com atividade convectiva favorecendo a formação de nuvens do tipo Cumulonimbus de grande crescimento vertical, que não estão descartadas. Os modelos ECMWF e GFS em 850 hPa, além do GFS fase, indicam um novo sistema de baixa pressão nas imediações do Oceano Atlântico Sul, com possibilidade de se tornar uma depressão subtropical. Há divergência entre os modelos, apontando trajetórias distintas entre o litoral norte do estado do Rio, ES e BA. ATENÇÃO: previsão de nova onda de calor, associada ao JBN (Jato de Baixos Níveis), trazendo ar quente e úmido da Amazônia, conforme projeções dos modelos em 850 hectopascal (hPa). Estamos acompanhado as próximas rodadas.

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